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sexta-feira, 28 de março de 2008

A Infância Sofrida

Desenho de sonho de Chico Xavier, quando criança

Ele tinha quatro anos quando deixou os pais boquiabertos. Em Pedro Leopoldo, pequena cidade do interior de Minas Gerais, Francisco Cândido Xavier deu o primeiro sinal de mediunidade ao interferir numa conversa sobre o aborto de uma vizinha. Citou com naturalidade palavras médicas como “nidação” e “ectópica”. A primeira significa renovação da mucosa uterina entre os períodos menstruais. A segunda, fora da posição normal. Pelas modestas condições da família, o vendedor de bilhetes de loteria João Cândido Xavier e a lavadeira Maria João de Deus estranharam o linguajar do filho. Chico pontuou, pela primeira vez, que seria uma pessoa extraordinária.

Um ano depois desse episódio veio a primeira provação. Com cinco anos, Chico perdeu a mãe, vítima de problemas cardíacos. Maria João era o eixo da família. Religiosa, ensinou os nove filhos a rezar, mas não acompanhou a entrega do filho Francisco ao espiritismo e mesmo ausente, tornou-se seu anjo protetor na infância. O espírito de Maria era, para Chico, quem o salvava e, de certa forma, o educava. “As pessoas achavam que ele era doido. Isso aconteceu durante muito tempo”, conta Kátia Maria, amiga de muitos anos de Chico Xavier.

Assim que a mãe morreu, Chico foi obrigado a morar com sua madrinha, Rita de Cássia. Contam os amigos, Rita foi sua segunda provação. “Muito severa, muito desequilibrada emocionalmente, uma perturbada”, lembra, sem desvios, Eurípedes Tahan Vieira, médico de Chico e amigo da época de juventude. Tahan franze a testa quando comenta as maldades de Rita de Cássia: “Ela enfiava um garfo na barriga de Chico, deixava o garfo espetado lá. Fazia o Chico lamber feridas sujas”, prossegue. O sofrimento causado por Rita ficou marcado na vida do médium. Os relatos sempre impressionaram. “Chico saía com a barriga sangrando pela casa, chorando”, conta Kátia.

O pesadelo durou dos 5 aos 8 anos de idade. Cada vez que Chico era maltratado, ia até o jardim procurar sua mãe querida. Em sua visão, a imagem dela lhe aparecia atrás de uma árvore e lhe dava conselhos para que agüentasse firme. Voltava tranqüilo para dentro da casa e dizia que estava feliz por conversar com sua mãezinha. Rita de Cássia, irritada e assustada, o chamava de “menino aluado” e o maltratava mais. Deixava-o sem comer durante dias. “Mãe, bem que eu queria comer alguma coisa”, suplicava o menino no quintal. E Rita de Cássia levava-o para ter com o padre, que o obrigava a rezar mais de mil ave-marias.

Traumatizado, Chico só encontrou sossego ao ser acolhido novamente pelo seu pai, a pedido da segunda esposa Cidália Batista, a mulher que passou a ser a segunda mãe do menino e quis criar todos os irmãos juntos. “E Chico, quando se viu à frente dessa criatura, quando sentiu no pescoço a carícia de seus braços carinhosos, não se conteve, beijou-lhe sentida e gratamente a barra da saia e votou-lhe, daí por diante, intensa e sincera amizade de verdadeiro filho”, contou o autor Ramiro Gama, no livro Lindos Casos de Chico Xavier. Neste mesmo livro, o autor conta que o espírito da mãe de Chico já havia avisado: “Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome contade vocês todos”. Cidália seria o anjo bom.

Sem Cidália talvez a vida de Chico não fluísse tanto nos anos seguintes: orava, aprendeu a cozinhar e começou a trabalhar. Ainda via espíritos “entrando pela janela”, como conta o médico Eurípedes Tahan, mas era feliz. Entrou na escola com o dinheiro de seu trabalho, que era vender alfaces da horta da casa e depois como tecelão numa fábrica da cidade. Com harmonia em casa, aos 10 anos, Chico parou de ver o espírito da mãe.

Na escola, porém, os infortúnios continuavam. Era chamado de “esquisito” pelos colegas por sentir mãos invisíveis interferirem na sua escrita. Com 12 anos escrevera uma redação dizendo ser “obra do invisível” e foi repreendidopela professora. Parou de freqüentar a escola um ano depois, após apenas quatro anos de estudo. As visões continuavam: saía andando durante a noite falando sobre o sofrimento dos mortos.

Enfim, aos 17 anos, deu o passo certeiro, rumo à sua missão: Maria da Conceição, uma de suas irmãs, ficou doente e um casal de amigos que seguia a doutrina de Allan Kardec realizou a primeira sessão espírita na casa. Na mesa, colocaram os livros O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de Kardec. A mulher do casal, Carmem Perácio, recebeu o espírito da mãe de Chico, que trouxe uma mensagem decisiva para o destino de seu filho. (Fonte: Isto é Gente 30/06/2003- Juliana Lopes)

Um comentário:

Anônimo disse...

Vlw pelos textos, me ajudou com o trabalho da escola. Tchau!